A Fauna Vinhedense

Não existe um registro público detalhado sobre a fauna que vive no território de Vinhedo. Ao verificar este problema resolvi fazer um rápido estudo e sistematizar tudo que encontrei. Consegui reunir os registros feitos por ONGs, jornais, poder público, institutos de pesquisa, relatórios de impacto ambiental, movimentos sociais e sites especializados.

Este é um trabalho que ainda precisa de aprofundamento e principalmente de pesquisas de campo que reúnam, além de informações, imagens que ajudem a reconhecer as espécies. É necessário, igualmente, fazer o georreferenciamento para permitir a identificação dos espaços e corredores ecológicos.

No presente levantamento, a maioria absoluta foi identificada na região da Macrozona de Proteção Ambiental Leste (Serra dos Cocais/Fazenda Cachoeira).

Ressalto que existe um trabalho relevante – que precisa ser reconhecido e publicado – realizado pelo vinhedense Tomas Sigrist que descreve com imagens e desenhos, a partir de incursões em campo, diversas espécies.

Na tabela abaixo constam o nome popular, o nome científico e o grupo a que pertence cada animal. Por fim, foi feita a classificação de risco de extinção da espécie: pouco ameaçada, vulnerável e ameaçada.

Nome popularEspécieGrupoCategoria de ameaça
AcauãHerpetotheres cachinnansAvesPouco ameaçada
Águia-serranaGeranoaetus melanoleucusAvesPouco ameaçada
AlegrinhoSerpophaga subcristataAvesPouco ameaçada
Alma-de-gatoPiaya cayanaAvesPouco ameaçada
Andorinha-do-campoProgne taperaAvesPouco ameaçada
Andorinha-do-rioTachycineta albiventerAvesPouco ameaçada
Andorinha-pequena-de-casaPygochelidon cyanoleucaAvesPouco ameaçada
Andorinha-pequena-de-casaPygochelidon cyanoleucaAvesPouco ameaçada
Andorinha-serradoraStelgidopteryx ruficollisAvesPouco ameaçada
Anu-brancoGuira guiraAvesPouco ameaçada
Anu-pretoCrotophaga aniAvesPouco ameaçada
Arapaçu-de-cerradoLepidocolaptes angustirostrisAvesPouco ameaçada
ArapongaProcnias nudicollisAvesAmeaçada
AvoanteZenaida auriculataAvesPouco ameaçada
AzulãoCyanoloxia brisoniiAvesPouco ameaçada
BacurauHydropsalis albicolisAvesPouco ameaçada
Barbudo-rajadoMalacoptila striataAvesPouco ameaçada
Barranqueiro-de-olho-brancoAutomolus leucophthalmusAvesPouco ameaçada
Beija-flor-de-fronte-violetaThalurania glaucopisAvesPouco ameaçada
Beija-flor-pretoFlorisuga fuscaAvesPouco ameaçada
Beija-flor-tesouraEupetomena macrouraAvesPouco ameaçada
Bem-te-viPitangus sulphuratusAvesPouco ameaçada
Bem-te-vi-rajadoMyiodynastes maculatusAvesPouco ameaçada
Bentevizinho-de-asa-ferrugíneaMyiozetetes cayanensisAvesPouco ameaçada
Bentevizinho-de-penacho-vermelhoMyiozetetes similisAvesPouco ameaçada
Besourinho-de-bico-vermelhoChlorostilbon lucidusAvesPouco ameaçada
Bico-chato-de-orelha-pretaTolmomyias sulphurescensAvesPouco ameaçada
Bico-de-lacreEstrilda astrildAvesPouco ameaçada
Bico-de-pimentaSaltator fuliginosusAvesPouco ameaçada
Bico-virado-carijóXenops rutilansAvesPouco ameaçada
BigodinhoSporophila lineolaAvesPouco ameaçada
BiguáPhalacrocorax brasilianusAvesPouco ameaçada
BiguatingaAnhinga anhingaAvesPouco ameaçada
BugioAlouatta guaribaMamíferos Pouco ameaçada
Cachorro-do-matoCerdocyon thousMamíferos Pouco ameaçada
CambacicaCoereba flaveolaAvesPouco ameaçada
Canário-da-terraSicalis flaveolaAvesPouco ameaçada
Canário-do-matoMyiothlypis flaveolaAvesPouco ameaçada
Caneleiro-de-chapéu-pretoPachyramphus validusAvesPouco ameaçada
CapívaraHydrochoerus hydrochaerisMamíferos Pouco ameaçada
CarãoAramus guaraunaAvesPouco ameaçada
CarcaráCaracara plancusAvesPouco ameaçada
CardealParoaria coronataAvesPouco ameaçada
CarrapateiroMilvago chimachimaAvesPouco ameaçada
CascavelCrotalus durissusRépteisPouco ameaçada
CervoMazama sp.Mamíferos Ameaçada
ChibumElaenia chiriquensisAvesPouco ameaçada
Choca-barradaThamnophilus doliatusAvesPouco ameaçada
Choca-da-MataThamnophilus caerulescensAvesPouco ameaçada
Chopim-do-brejoPseudoleites guirahuroAvesPouco ameaçada
Choquinha-lisaDysithamnus mentalisAvesPouco ameaçada
Choró-boiTaraba majorAvesPouco ameaçada
Chupa-denteConopophaga lineataAvesPouco ameaçada
Chupim (vira-bosta)Molothrus bonariensisAvesPouco ameaçada
ColeirinhaSporophila caerulescensAvesPouco ameaçada
ColhereiroPlatalea ajajaAvesPouco ameaçada
Coró-coróMesembrinibis cayennensisAvesPouco ameaçada
CorruíraTroglodytes musculusAvesPouco ameaçada
CorrupiãoIcterus jamacaiiAvesPouco ameaçada
Coruja-buraqueiraAthene cuniculariaAvesPouco ameaçada
Coruja-orelhudaAsio ClamatorAvesPouco ameaçada
Corujinha-do-matoMegascops cholibaAvesPouco ameaçada
Cuíca-de-quatro-olhosPhilander frenatusMamíferos Pouco ameaçada
CuricacaTheristicus caudatusAvesPouco ameaçada
CurutiéCerthiaxis cinnamomeusAvesPouco ameaçada
CutiaDasyprocta azaraeMamíferos Ameaçada
Dragão barbudoPogona vitticepsRépteisPouco ameaçada
EncontroIcterus pyrrhopterusAvesPouco ameaçada
EnferrujadoLathrotriccus euleriAvesPouco ameaçada
Esquilo caxinguelê Sciurus aestuansMamíferos Pouco ameaçada
Esquilo serelepeSciurus ingramiMamíferos Pouco ameaçada
EstaladorCorythopis delalandiAvesPouco ameaçada
Estrelinha-ametistaCalliphlox amethystinaAvesPouco ameaçada
Falcão-de-coleiraFalco femoralisAvesPouco ameaçada
Ferreirinho-relógioTodirostrum cinereumAvesPouco ameaçada
Figuinha-de-rabo-castanhoConirostrum speciosumAvesPouco ameaçada
Fim-fimEuphonia chloroticaAvesPouco ameaçada
Fogo-apagouColumbina squammataAvesPouco ameaçada
Frango-d’água-comumGallinula galeataAvesPouco ameaçada
Gambá orelha brancaDidelphis albiventrisMamíferos Pouco ameaçada
Gambá orelha pretaDidelphis auritaMamíferos Pouco ameaçada
Garça-branca-grandeArdea albaAvesPouco ameaçada
Garça-branca-pequenaEgretta thulaAvesPouco ameaçada
Garça-MouraArdea cocoiAvesPouco ameaçada
Garça-vaqueiraBubulcus ibisAvesPouco ameaçada
GaribaldiChrysomus ruficapillusAvesPouco ameaçada
Gato-do-mato-pequenoLeopardus tigrinusMamíferos Vulnerável
Gato-mouriscoPuma YagouaroundiMamíferos Ameaçada
Gaturamo-bandeiraChlorophonia cyaneaAvesPouco ameaçada
Gaturamo-reiEuphonia cyanocephalaAvesPouco ameaçada
Gavião-CarijóRupornis magnirostrisAvesPouco ameaçada
Gavião-de-cabeça-cinzaLeptodon cayanensisAvesPouco ameaçada
Gavião-de-rabo-brancoGeranoaetus albicaudatusAvesPouco ameaçada
Gavião-miúdoAccipiter striatusAvesPouco ameaçada
Gavião-peneiraElanus leucurusAvesPouco ameaçada
Gibão-de-couroHirundinea ferrugineaAvesPouco ameaçada
GolinhoSporophila albogularisAvesPouco ameaçada
Gralha-do-campoCyanocorax cristatellusAvesPouco ameaçada
GraúnaGnorimopsar chopiAvesPouco ameaçada
Guaracava-de-barriga-amarelaElaenia flavogasterAvesPouco ameaçada
Guaracava-de-crista-alaranjadaMyiopagis viridicataAvesPouco ameaçada
Guaracava-esverdeadaMyiopagis viridicataAvesPouco ameaçada
GuaxinimProcyon cancrivorusMamíferos Vulnerável
Inhambu-chororóCrypturellus parvirostrisAvesPouco ameaçada
IraúnaMolothrus oryzivorusÃvesPouco ameaçada
IrerêDendrocygna viduataAvesPouco ameaçada
IrréMyiarchus swainsoniAvesPouco ameaçada
JaçanãJacana jacanaAvesPouco ameaçada
JacuaçuPenelope obscuraAvesPouco ameaçada
JacubempaPenelope superciliarisAvesPouco ameaçada
JacurutuBubo virginianusAvesPouco ameaçada
JaguatiricaLeopardus pardalis Mamíferos Ameaçada
Japu pretoPsarocolius decumanusAvesPouco ameaçada
João-botina-do-brejoPhacellodomus ferrugineigulaAvesPouco ameaçada
João-de-barroFurnarius rufusAvesPouco ameaçada
João-porcaLochmias nematuraAvesPouco ameaçada
João-tenenémSynallaxis spixiAvesPouco ameaçada
Juriti vermelhaGeotrygon violaceaAvesPouco ameaçada
Juriti-pupuLeptotila verreauxiAvesPouco ameaçada
JuruviaraVireo chiviAvesPouco ameaçada
Lavadeira-MascaradaFluvicola nengetaAvesPouco ameaçada
Lobo-guaráChrysocyon brachyurusMamíferos Vulnerável
Macaco SauáCallicebus nigrifronsMamíferos Vulnerável
Mãe-da-luaNyctibius griseusAvesPouco ameaçada
Maracanã-pequenaDiopsittaca noblisAvesPouco ameaçada
Maria-cavaleiraMyiarchus feroxAvesPouco ameaçada
Maria-cavaleira-de-rabo-enferrujadoMyiarchus tyrannulusAvesPouco ameaçada
Maria-faceiraSyrigma sibilatrixAvesPouco ameaçada
Maria-preta-de-bico-azuladoKnipolegus cyanirostrisAvesPouco ameaçada
MariquitaSetophaga pitiayumiAvesPouco ameaçada
Maritaca-verdePionus maximilianiAvesPouco ameaçada
Marreca-oveiraAnas sibilatrixAvesPouco ameaçada
Martim-pescador-grandeMegaceryle torquataAvesPouco ameaçada
Martim-pescador-pequenoChloroceryle americanaAvesPouco ameaçada
Martim-pescador-verdeChloroceryle amazonaAvesPouco ameaçada
Mico-estrelaCallithrix penicillataMamíferos Pouco ameaçada
Morcego-pescadorNoctilio leporinusMamíferos Pouco ameaçada
Murucututu-de-barriga-amarelaPulsatrix koeniswaldinaAvesPouco ameaçada
Myiarchus spMyiarchus spAvesPouco ameaçada
Myiozetetes sp.Myiozetetes sp.AvesPouco ameaçada
NeineiMegarynchus pitanguaAvesPouco ameaçada
Onça-parda (suçuarana)Puma concolorMamíferos Ameaçada
Ouriço cacheiroSphiggurus villosusMamíferos Pouco ameaçada
PacaCuniculus pacaMamíferos Ameaçada
Papagaio-verdadeiroAmazona aestivaAvesPouco ameaçada
PardalPasser domesticusAvesPouco ameaçada
Pato-do-matoCairina moschataAvesPouco ameaçada
PeiticaEmpidonomus variusAvesPouco ameaçada
Periquitão-maracanãPsittacara leucophthalmusAvesPouco ameaçada
Periquito-de-encontro-amareloBrotogeris chiririAvesPouco ameaçada
Periquito-ricoAratinga leucophthalmaAvesPouco ameaçada
PetrimSynallaxis frontalisAvesPouco ameaçada
Pé-vermelhoAmazonetta brasiliensisAvesPouco ameaçada
Pia-cobraGeothlypis aequinoctialisAvesPouco ameaçada
Pica-pau-anão-barradoPicumnus cirratusAvesPouco ameaçada
Pica-pau-anão-de-coleiraPicumnus temminckiiAvesPouco ameaçada
Pica-pau-brancoMelanerpes candidusAvesPouco ameaçada
Pica-pau-de-banda-brancaDryocopus lineatusAvesPouco ameaçada
Pica-pau-de-cabeça-amarelaCeleus flavescensAvesPouco ameaçada
Pica-pau-de-topete-vermelhoCampephilus melanoleucosAvesPouco ameaçada
Pica-pau-do-campoColaptes campestrisAvesPouco ameaçada
Pica-pau-verde-barradoColaptes melanochlorosAvesPouco ameaçada
Picapauzinho-verde-carijóVeniliornis spilogasterAvesPouco ameaçada
PichororéSynallaxis ruficapillaAvesPouco ameaçada
PintassilgoSporagra magellanicaAvesPouco ameaçada
Pipira-da-taocaLanio penicillatusAvesPouco ameaçada
Pipira-vermelhaRamphocelus carboAvesPouco ameaçada
PitiguariCyclarhis gujanensisAvesPouco ameaçada
PixoxóSporophila frontalisAvesAmeaçada
Pomba-asa-brancaPatagioenas picazuroAvesPouco ameaçada
PombãoPatagioenas picazuroAvesPouco ameaçada
Pombo-domésticoColumba liviaAvesPouco ameaçada
PreáCavia apereaMamíferos Vulnerável
PríncipePyrocephalus rubinusAvesPouco ameaçada
Pula-pulaBasileuterus culicivorusAvesPouco ameaçada
Pula-pula-de-barriga-brancaBasileuterus hypoleucusAvesPouco ameaçada
Pula-pula-ribeirinhoMyiothlypis rivularisAvesPouco ameaçada
Quati-de-cauda-aneladaNasua nasuaMamíferos Pouco ameaçada
Quero-queroVanellus chilensisAvesPouco ameaçada
QuiriquiriFalco sparveriusAvesPouco ameaçada
Rabo-branco-de-garganta-rajadaPhaethornis eurynomeAvesPouco ameaçada
Raposa-do-campoLycalopex vetulusMamíferos Pouco ameaçada
Ratão-do-banhado Myocastor coypusMamíferos Pouco ameaçada
RisadinhaCamptostoma obsoletumAvesPouco ameaçada
Rolinha-roxaColumbina talpacotiAvesPouco ameaçada
Sabiá-barrancoTurdus leucomelasAvesPouco ameaçada
Sabiá-do-campoMimus saturninusAvesPouco ameaçada
Sabiá-ferreiroTurdus subalarisAvesPouco ameaçada
Sabiá-laranjeiraTurdus rufiventrisAvesPouco ameaçada
Sabiá-pocaTurdus amaurochalinusAvesPouco ameaçada
SaciTapera naeviaAvesPouco ameaçada
SaguiCallithrix spMamíferos Pouco ameaçada
Sagui-de-tufo-pretoCallithrix penicilataMamíferos Ameaçada
Saí-andorinhaTersina viridisAvesPouco ameaçada
Saí-azulDacnis cayanaAvesPouco ameaçada
Saí-canárioThlypopsis sordidaAvesPouco ameaçada
Saíra-amarelaTangara cayanaAvesPouco ameaçada
Saíra-de-chapéu-pretoNemosia pileataAvesPouco ameaçada
Saíra-militarTangara cyanocephalaAvesPouco ameaçada
Saíra-viúvaPipraeidea melanonotaAvesPouco ameaçada
Sanã-pardaLaterallus melanophaiusAvesPouco ameaçada
Sanhaçu-cinzentoTangara sayacaAvesPouco ameaçada
Sanhaçu-de-fogoPiranga flavaAvesPouco ameaçada
Sanhaçu-do-coqueiroTangara palmarumAvesPouco ameaçada
Saracura-do-matoAramides saracuraAvesPouco ameaçada
SavacuNycticorax nycticoraxAvesPouco ameaçada
SeriemaCariama cristataAvesPouco ameaçada
Socó-boiTigrisoma lineatumAvesPouco ameaçada
SocozinhoButorides striataAvesPouco ameaçada
SoviIctinia plumbeaAvesPouco ameaçada
SuiririTyrannus melancholicusAvesPouco ameaçada
Suiriri-cavaleiroMachetornis rixosaAvesPouco ameaçada
Tachuri-campainhaHemitriccus nidipendulusAvesPouco ameaçada
TangaráChiroxiphia caudataAvesPouco ameaçada
Taperuçu-de-coleira-brancaStreptoprocne zonarisAvesPouco ameaçada
TapicuruPhimosus infuscatusAvesPouco ameaçada
Tatu-canastraPriodontes maximusMamíferos Ameaçada
Tatu-galinhaDasypus novemcinctusMamíferos Pouco ameaçada
TeiúTupinambis merianaeRépteisPouco ameaçada
Teiú-brancoTupinambis teguixinRépteisPouco ameaçada
TesourinhaTyrannus savanaAvesPouco ameaçada
Tesourinha-da-mataPhibalura flavirostrisAvesVulnerável
Tico-ticoZonotrichia capensisAvesPouco ameaçada
Tiê-de-topeteLanio melanopsAvesPouco ameaçada
Tiê-pretoTachyphonus coronatusAvesPouco ameaçada
TiziuVolatinia jacarinaAvesPouco ameaçada
Trinca FerroSaltator similisAvesPouco ameaçada
TrovoadaDrymophila ferrugineaAvesPouco ameaçada
Tucano tocoRamphastos tocoAvesPouco ameaçada
Tucano-de-bico-pretoRamphastos vitellinusAvesPouco ameaçada
TucanuçuRamphastos tocoAvesPouco ameaçada
TuimForpus xanthopterygiusAvesPouco ameaçada
Urubu-de-cabeça-pretaCoragyps atratusAvesPouco ameaçada
Urubu-de-cabeça-vermelhaCathartes auraAvesPouco ameaçada
UrutauNyctibius griseusAvesPouco ameaçada
Veado-campeiroOzotoceros bezoarticusMamíferos Ameaçada
Veado-catingueiroMazama gouazoubiraMamíferos Pouco ameaçada
Veado-de-mão-curtaMazama nanaMamíferos Vulnerável
Vite-vite-de-olho-cinzaHylophilus amaurocephalusAvesPouco ameaçada

Fontes consultadas:

  • Associação Amigos da Serra dos Cocais
  • Associação Mata Ciliar
  • Câmara Municipal de Vinhedo
  • Documentos Loteamento Fazenda Cachoeira
  • Documentos Loteamento Residencial Altos de Vinhedo
  • Icmbio
  • Instituto Corredor das Onças
  • Jornal de Vinhedo
  • Livro “Cidade e Cultura – Edição 11: Circuito das Frutas”
  • Livro “Vinhedo: das aldeias Indigenas aos condomínios fechados”
  • Movimento Parque Fazenda Cachoeira
  • Prefeitura Municipal de Vinhedo
  • SOS Mata Atlântica
  • Tribuna de Vinhedo
  • Wikiaves
  • Wikipedia
  • Wikispecies

Sítios arqueológicos em Vinhedo: isso é verdade?

Esta é a pergunta que mais tenho escutado ou lido nas últimas semanas, desde o momento que comecei a insistir sobre a importância de (re)conhecermos nossa pré-história e de ter revelado que tenho comprovações sobre a existência de sítios arqueológicos em nosso município.

No livro “Vinhedo: das aldeias indígenas aos condomínios fechados” apresentei esta tese, de forma menos aprofundada, mas com consistência teórica e objetividade. No entanto, nos últimos meses, tive acesso a documentos e informações que me levaram muito mais próximo às nossas origens milenares.

Preliminarmente, devo ressaltar que a ideia de pré-história que apresento é a aquela que o professor Pedro Funari se refere como a história não escrita, ou que foi deturpada, especialmente pelos colonizadores europeus. A pré-história, neste sentido, é a busca do registo do nosso “Velho Mundo”, pouco contado pela oficialidade.

Para a arqueóloga Camila Whichers, a história do Estado de São Paulo (e portanto de seus municípios) nos foi contada por meio de documentos redigidos por membros da coroa portuguesa ou por pessoas que estavam submetidos a este sistema de poder. A arqueologia pode nos ajudar a revelar passagens importantes do nosso passado, enriquecendo a história que conhecemos.

Vinhedo tem contas a acertar com seu passado e seus habitantes têm o direito de ter acesso a esta memória coletiva. Isto pode ajudar a cidade a construir sua identidade de uma forma fidedigna, e mesmo a resolver pontos controversos e lacunas de nossa história. Objetivamente, será possível identificar, por exemplo, como e onde exatamente surgiu o município.

É preciso regatar dois aspectos fundamentais:

1 – A história dos negros, especialmente sobre as relações que se estabeleceram na Fazenda Cachoeira, na região central, e no lendário Quilombo de Rocinha, o maior e mais poderoso da história paulista, na região da Capela;

2 – A história das nações indígenas que por aqui viveram ou que por aqui passaram. Isso poderá nos ajudar a desvendar trechos importantes do enredo da história de Vinhedo.

As peças deste quebra-cabeça já estão disponíveis e outras poderão surgir com auxílio do método científico e com um mínimo de boa vontade do poder público. Dialoguei com algumas lideranças e as expectativas são positivas neste sentido. Mas, afinal, o que já se sabe a respeito de nossas remotas raízes?

Pelo que levantei até o presente momento foram encontrados em Vinhedo ao menos 5 sítios arqueológicos, sendo 4 no interior da microbacia hidrográfica dos córregos Cachoeira e Pinheirinho e um quinto no altiplano da cidade, nas proximidades do Portal.

Foram achados cerca de 3.500 fragmentos arqueológicos, implementos de pedra (mão-de-pilão, machados polidos, raspadores), entre outros objetos que remetem às culturas indígena e negra. Alguns dos objetos de uso cotidiano e outros materiais líticos encontrados não pareciam pertencer ao uso cotidiano e sim à rituais fúnebres, indicando a existência de um cemitério em um dos sítios. Outra evidência da existência do cemitério indígena foi o achado de pedaços de ossos e dentes.

Os objetos pertenceram a grupos distintos, pois foram fabricados usando mais de uma técnica. Mas, centralmente, pertenceram à tradição indígena Tupi-Guarani, que ocupou a região em épocas diferentes. Alguns utensílios mostram uma possível influência dos grupos Aruak, oriundos da Amazônia.

Estes achados, ainda que insuficientes, já são evidências concretas da confirmação de duas teses importantes que retratei em meu livro: 1: Vinhedo começou a ocupação colonial em um pouso, que anteriormente era uma aldeia e que ficava no caminho dos Goyases, possivelmente no altiplano entre o Parque Municipal Jaime Ferragut e o bairro Casa Verde; 2 – Em 1732, o comerciante Alexandre Simões mudou radicalmente a ocupação do território em uma grande jogada estratégica e levou a ocupação para a bacia do Cachoeira/Pinheirinho, com epicentro onde hoje se encontra a Fazenda Cachoeira.

Os diversos artigos e documentos relativos aos achados arqueológicos em Vinhedo, mostram que houve escavações no final dos anos 70, início dos anos 80 e em 2003. Além disso, existem vestígios arqueológicos que foram encontrados por agricultores enquanto aravam suas terras e entregues para pesquisadores e políticos.

Lamentavelmente, uma parte importante desses materiais (que quase ninguém sabia de sua existência), e se encontravam em posse do poder público, se perdeu no incêndio que ocorreu no antigo Armazém da FEPASA, em 2001. Neste episódio, o fogo também consumiu instrumentos e diversos objetos da grande Escola Carnavalesca Garganta Seca.

A boa notícia é que nem tudo está perdido. Existem peças de nossa história espalhadas em museus do estado de São Paulo e em posse de particulares. Existem também pontos da cidade que podem ser investigados, bem como documentos e relatórios que nos ajudarão a reconstituir esta jornada.

No ano em que a cidade comemora seus 70 anos de emancipação político-administrativa é fundamental que, além de comemorarmos seu aniversário, façamos uma profunda reflexão sobre nossas origens (que remetem a milhares de anos) e sobre nossos destinos, especialmente quando debatemos a revisão do Plano Diretor.

Os indígenas e os negros, praticamente apagados de nossa história, também foram fundamentais na construção desta casa comum que damos o nome de Vinhedo e merecem o devido reconhecimento.

Referências:

FUNARI, Pedro Paulo e NOELLI, Francisco. Pré-História do Brasil; As origens do homem brasileiro; O Brasil antes de Cabral; Descobertas arqueológicas recentes. São Paulo: Contexto, 2002.

WICHERS, Camila A. de Moraes (org.). Mosaico Paulista: guia do patrimônio arqueológico do estado de São Paulo. São Paulo: Zanettini Arqueologia, 2010.

Imagem: Aquarela de José de Castro Mendes, Pouso de Tropeiro da Rocinha.

Por que a Fazenda Cachoeira SA quer cassar meu mandato?

O Jornal de Vinhedo publicou neste sábado, 14 de maio, matéria que trata do pedido de cassação do meu mandato, por parte da empresa proprietária da Fazenda Cachoeira. Apesar de ser uma aberração, a medida não causa exatamente espanto.

Primeiro porque na tradição recente de Vinhedo, toda vez que interesses poderosos são contrariados, logo vem alguma tentativa de intimidação, incluindo pedidos de cassação ou processos artificiais, em geral assinados por um famigerado advogado da cidade.

Mas afinal, como algo tão absurdo e fora do real vem à tona? Ao que tudo indica alguma conexão com a política local, adicionado a uma pitada de desespero e a proximidade das eleições, somam os ingredientes que formam esta piada de mau gosto. Vamos nos situar.

cachoeiraJS

Conhecendo os interesses

Vinhedo nasceu na Fazenda Cachoeira. Este território tem grande importância ecológica e histórica para a cidade. Estão naquele espaço áreas públicas de barragens, as represas I, II e III, o Casarão, a Estátua do Cristo, cerca de 20 nascentes e rica fauna e flora.

A Fazenda possui tripla proteção. São dois tipos de tombamentos históricos, o do Casarão (já definido) e o da área da Serra dos Cocais (em debate). Somado a estas proteções, o Plano Diretor define aquela área como de uma ZCA (Zona de Conservação Ambiental).

motomaxx 014.jpg
Capa de um dos processos de tombamento.

No Plano Diretor, a ZCA tem como principal objetivo produzir água,  preservar os recursos naturais da cidade e frear o crescimento desordenado. A cidade definiu que fosse assim, em cerca de 60 audiências públicas realizadas no ano de 2006.

Mesmo sabendo disso, no dia 26 de março de 2007, a Gálatas (hoje Fazenda Cachoeira SA) comprou a propriedade que pertencia a Dona Leontina, e estava sob a direção de herdeiros distantes, por R$ 1.226.000,00 (um milhão, duzentos e vinte e seis mil reais).

O direito da população e o direito dos proprietários

É claro que os atuais proprietários possuem o direito a uma justa indenização do poder público. Mas esta indenização é calculada com base no que hoje se pode fazer naquela área (ou seja, quase nada) e não no que acham que podem fazer.

O cálculo, tampouco, pode ser feito com base em uma mudança do Plano Diretor. As restrições estabelecidas pelos Tombamentos, Plano Diretor, Código Florestal e pela legislação complementar impõem limites conhecidos pelos empreendedores.

Por isso, querem mudar as regras estabelecidas e se desesperam. Já foram três tentativas de lotearem a área. Durante todos estes anos, a população de Vinhedo tem se mobilizado para manter a preservação da área e garantir o futuro da cidade. Eu sou uma dessas vozes.

Talvez tenham pensado em me fazer de exemplo, para demonstrar a arrogância do poder do dinheiro. Os proprietários não vivem em nossa cidade, não conhecem nossos sonhos e e querem somente lucrar.

As alegações do pedido de cassação

É importante registrar que, nos últimos meses, alguns agentes têm acelerado o lobby em defesa do loteamento e da rápida votação de mudanças do plano diretor. Minha defesa é que se faça essa votação somente no próximo ano para não ter conflitos de interesses, já que as eleições se aproximam.

Neste contexto, os sócios da Companhia Fazenda Cachoeira SA protocolaram na Câmara um pedido de cassação do meu mandato, em que alegam que quebrei o “decoro parlamentar”. Também, “coincidentemente”, na mesma semana, negaram acesso a técnicos que, em nome da justiça, iriam vistoriar as nascentes locais.

Vamos analisar seus argumentos:

1 – A atuação parlamentar do vereador é sistemática contra a Fazenda com o intuito de transformá-la em um Parque e ele faz uma verdadeira cruzada, fomentando movimentos que têm como objetivo jogar a população contra a empresa.

Comentário: É verdade que tenho me dedicado à tarefa de mostrar para a população os interesses por trás da tentativa de mudar o plano diretor e lotear a Fazenda, mas não tenho problemas pessoais com os proprietários, até porque nem são de Vinhedo e mal os conheço. Fizemos diversos debates com amplos setores da sociedade sobre o tema.

2 – Rodrigo Paixão apresentou um Projeto para a criação do Parque Fazenda Cachoeira meramente autorizativo, sem efeito prático, somente para tumultuar.

Comentário: Totalmente falso. O projeto que apresentei em Vinhedo foi baseado em um similar aprovado na Câmara de São Paulo e sancionado pela Prefeitura. Infelizmente em Vinhedo foi considerado inconstitucional.

Ver o projeto aprovado em São Paulo https://leismunicipais.com.br/a/sp/s/sao-paulo/lei-ordinaria/2013/1594/15941/lei-ordinaria-n-15941-2013-dispoe-sobre-a-criacao-do-parque-municipal-augusta-e-da-outras-providencias-2013-12-23-versao-compilada.html

Para conhecer o Projeto de Lei apresentado por mim e por outros vereadores que autorizava a criação do Parque clicar aqui

3 – O vereador se envolveu pessoalmente contra despejos ocorridos na área, distorcendo os fatos e dizendo que houve maus tratos a uma idosa.

Comentário: Parcialmente falso. Realmente apoiei pessoalmente colonos históricos que estavam sendo despejados, mesmo com processos de usucapião. Mas não distorci nada em relação a senhora que sofreu maus tratos. O nome dela é Dona Lúcia, uma artesã que faz parte da história da cidade. A antiga proprietária havia cedida um pequeno pedaço de terra para a mãe da Dona Lúcia morar. Ao tirarem uma senhora de mais de 60 anos, negra e deficiente, derrubando sua casa, nossa história também foi atacada. O processo de usucapião não havia nem sido julgado. Portanto, me opus a essa arbitrariedade.

Para conhecer o processo de usucapião da Dona Lúcia clicar aqui.

4 – Rodrigo invadiu a propriedade juntamente com o Corpo de Bombeiros quando houve uma queimada, insinuando que o incêndio foi criminoso

queimada
Um dos postos da queimada de Julho de 2014

Comentário: Falso. Após uma sequência de queimadas na mata, em Julho de 2014 ocorreu o mais grave dos incêndios já vistos na cidade, podendo ter atingido cerca de 800.000 m² de vegetação. Cidadãos entraram em contato comigo e com o vereador Valdir Barreto. Quando chegamos ao local, entramos no carro da Defesa Civil, que deu apoio ao Corpo de Bombeiros.

Na época, divulguei o resultado de laudos dessas autoridades que detectaram que o incêndio teve início em diversos pontos, indicando possível ação criminosa.

Para ler o depoimento do Corpo de Bombeiros sobre a queimada clicar aqui

No entanto, não apontei nomes, somente divulguei algo que inclusive gerou um inquérito que tramita na Promotoria de Justiça. Clique aqui para ler a Portaria Inaugural do Inquérito sobre a queimada.

5 – O vereador fala que a Fazenda não poderia ter fechado a portaria de passagem para a Represa II. Ele se fundamentou no erro da Prefeitura de colocar uma placa equivocadamente.

20140912_104140

Comentário: Falso. A Prefeitura não errou neste caso. Ela sinalizou corretamente uma Rua Pública, a Frank Swalles. Entre o final dos anos 70, e o início dos anos 80, uma série de leis e decretos desapropriaram áreas da Fazenda Cachoeira para se fazer as represas, barragens e estradas. Foi neste momento que surgiram a Avenida Frank Swalles e a Rua Abrahão Kalil Aun. Em 2014, a empresa proprietária da área fechou, de uma hora para outra, a porteira que dá acesso para uma dessas vias públicas. A área era usada há décadas pela população para práticas esportivas e de lazer. Nos bastidores, pessoas ligadas a empresa dizem que o prefeito da época não pagou todas as desapropriações corretamente. Ai cabe demonstrarem isto e cobrar da Prefeitura. São temas distintos.

Para conhecer o Decreto 147/81 que oficializa a via pública fechada pela Companhia Fazenda Cachoeira clique aqui.

Portanto, fica claro que a empresa proprietária da Fazenda Cachoeira quis criar um fato político a seu favor, tentando desmobilizar os que lutam em defesa de um Parque que preserve nossa história, nossa água e nosso meio ambiente.

Ademais, os advogados, consultores e bajuladores esqueceram de avisar à Gálatas que a Constituição Federal ainda funciona no Brasil. Bastaria lerem o artigo 29, inciso VIII  que traz a garantida da “inviolabilidade dos Vereadores por suas opiniões, palavras e votos no exercício do mandato e na circunscrição do Município”

Não nos intimidarão.