Entrevista concedida ao Jornal Tribuna de Vinhedo no dia 12 de abril de 2013

tribuna

O Vereador Rodrigo Paixão comenta sobre o planejamento da cidade e pontos críticos do principado. Dentre os destaques, o planejamentos das obras e a questão do transporte público.

Iniciando nossa conversa, como foi a sessão de quarta-feira?

Vamos considerar as últimas, porque foram parecidas: foram mais amenas e com tom mais respeitoso. No entanto, nós, enquanto bancada mais independente, continuamos tendo dificuldades em obter informações que deveriam ser públicas e de fácil acesso. O ideal seria poder entrar no site do governo, da Sanebavi, da Festa da Uva, ou quando fosse necessário auditar um processo administrativo, e ter acesso aos dados referentes a estes serviços. Mas na prática, o discurso feito por alguns vereadores governistas não é real; na pratica, não conseguimos fazer isso.

Conseguimos na insistência o acesso a algumas coisas, mas isso ainda é um tema delicado na cidade de Vinhedo, o respeito à Lei de Acesso à Informação. E é um assunto que vamos mexer bastante, ao longo do mandato se necessário.

Já iniciamos uma conversa com o Ministério Público sobre isso, e com a sociedade civil para que eles também nos ajudem a tornar os dados e as informações de Vinhedo mais transparentes. Este é um assunto que tem gerado grande embate nesses últimos meses.

Geralmente conversamos sobre alguns tópicos específicos. Um tema recente, trazido pelo vereador, foi com relação ao planejamento das obras do município.

Isso tem sido na verdade uma coisa freqüente na cidade de Vinhedo. Temos, por exemplo, as obras do famoso Portal do Cristo que se arrastam há quatro ou cinco anos; os pontilhões sob as vias férreas, na região dos sete bairros, que vem causando transtorno por meses à população; as obras de pavimentação do Jardim Florido, que deveriam ser entregues no mês de Novembro passado.

Neste último, os projetos técnicos que deveriam ser entregues a caixa não chegaram, por questões de planejamento e de deficiência interna do governo. Com isso, as verbas não foram liberadas e as obras atrasadas. Mais que isso, esqueceram de fazer o esgoto nessas áreas antes de fazer o asfalto, o que é surreal, mas aconteceu em nosso Principado.

A questão das gramas, que foram plantadas na Avenida Zanetti Ferragut e Salvador Rotella e que, depois, foram retiradas para colocar calçadas. Isso é dinheiro público.

A falta de planejamento é muito clara. Não sei se parece que a cidade tem um recurso tão fantástico que as pessoas muitas vezes se acomodam. Somado a isso, as pessoas talvez ainda não estejam preparadas para o debate político para a critica, a divergência e, enfim, conviver com a diversidade. Muitas vezes, alguns gestores administram Vinhedo como se fosse um espaço particular, quando, na verdade, o gestor público deve explicações para toda a comunidade: tem que passar por processo de licitação, tem que ter transparência, tem que cumprir o Plano Plurianual, a Lei de Diretrizes Orçamentárias. Enfim, prestar contas e cumprir as obras em conformidade com as regras públicas.

Você não pode, por exemplo, entregar um apartamento do projeto Minha Casa Minha Vida sem fazer o cadastro correto, como foi feito recentemente, onde muitas pessoas foram eliminadas do processo seletivo da Caixa, que não foi atualizado, de novo uma falta de planejamento. Faltou gente e tiveram que inserir, no meio do processo seletivo, pessoas que não estavam selecionadas, que não foram sorteadas.

Em um plano mais generalizado, como você vê a estrutura da cidade. Vinhedo está preparada para o que ela tem que gerir?

Vinhedo cresceu muito rapidamente. Sua população dobou em apenas duas décadas. Contudo, a estrutura não acompanhou esse crescimento. Exemplificando, a questão da energia elétrica foi estabilizada recentemente, mas até há pouco tempo, tínhamos problemas inclusive no Distrito Industrial.

Nós ainda temos em torno de 70% de esgoto coletado e tratado, quando a cidade tem condições técnicas e financeiras para ter 100% de coleta e tratamento. Não conseguimos acompanhar esse crescimento populacional do ponto de vista do saneamento básico.

A água é outra questão. Tem bairros que, por conta da elevação ou pela localização periférica, chega água, mas às vezes falta; a rede de água ainda não chega em alguns poucos pontos.

Falando de trânsito, em muitos horários de pico tem congestionamento e momentos caóticos, isso porque o Transporte Coletivo não foi preparado para contemplar esse crescimento da cidade. Com isso, as pessoas investiram na aquisição de veículos particulares e, então, temos uma população de 65 mil habitante e 54 mil veículos. Se você tirar as crianças, todo mundo tem um carro na cidade, considerando a média. Essa situação é sintomática por conta do transporte coletivo não funcionar bem e ser caro.

Estamos no meio de uma campanha sobre isso. Existe uma possibilidade de aumento absurdo no transporte. Nossa colocação é de que primeiro temos que debater a qualidade, o bilhete único, a transitividade daqueles que tem deficiência, a capilarização das linhas, para que elas cheguem aos bairros, ter horários mais condizentes com as necessidades das pessoas, ônibus mais estruturados. Precisamos de uma qualidade de transporte melhor porque, se fosse ver, pelo que temos hoje, na cidade, temos que diminuir o valor da passagem e não aumentar. Isso porque, além da necessidade de adequação aos termos acima, os ônibus, em Vinhedo, andam 5 quilômetros. Se pegarmos da ponta da Capela até o centro é isso que ele vai circular, enquanto em outras cidades, um ônibus circula 15 ou 20 quilômetros e ainda com Bilhete Único e integração de linhas.

Outro assunto é a estrutura viária. Por conta das ilhas de territórios, que são os condomínios, a estrutura viária poderia ser melhor. Parece que o Governo Municipal deixa isso em segundo plano. Acho que a estrutura viária tem condições de ser melhor justamente para atender a essa demanda grande de veículos que temos na cidade.

Também a questão do atendimento medico: não temos situações limite, como em outras partes do país, mas às vezes falta pediatra na Rede Pública; a Santa Casa é um problema grave e precisa ser estruturada; a UPA ajudou a desafogar um pouco o Hospital mas não resolveu o problema … então, outra estrutura que não acompanhou a necessidade da cidade foi a Rede Pública de Saúde. É uma rede razoável, mas tem muitas deficiências que precisam ser superadas como atendimentos a mais especialidades e mais agilmente.

Claro que falo sobre tudo isso pensando no orçamento da cidade. Podem achar que estou exigindo muitas coisas, mas temos condições efetivas de realizar isso.

Nós arrecadamos mais de R$1 milhão por dia, fora os convênios e parcerias que podemos fazer o tempo todo por sermos considerados uma cidade com finanças saneadas. Vinhedo tem que se preparar melhor para equacionar o crescimento populacional, seu desenvolvimento econômico e a qualidade de vida, e isso, nesse momento e em minha opinião, está em risco por conta de um planejamento desordenado.

Dentro dessas questões qual ponto você julga precisar de uma atenção emergencial?

Primeiro, é a questão do Transporte Coletivo. Se Vinhedo não tiver um bom sistema a cidade vai entrar em colapso, pois o município não comporta esse crescimento vertiginoso de veículos de uso individual. Precisamos ter uma melhoria rápida na questão do transporte e de forma a também incentivar a população a utilizar esse novo sistema: ter ônibus de qualidade para que seja agradável usar. Várias cidades do Brasil têm pequenos ônibus com ar condicionado para percorrer trechos curtos.

Acho, inclusive, que a cidade não deveria descartar a questão do transporte alternativo, se este for regulado, organizado e os itinerários bem pensados. Poderíamos repensar essa questão do monopólio do Transporte Público.

A segunda questão é aquilo que envolve o meio ambiente, de um ponto de vista mais amplo.

Vinhedo não pode crescer aleatoriamente, atacando seu ambiente e destruindo áreas de mananciais, porque isso vai ter um custo muito alto para a cidade no futuro.

A região da Serra dos Cocais, a região em torno do Bom Jardim, a Fazenda Cachoeira, enfim, uma série de áreas de mananciais não podem ser atacadas. Não podemos deixar o assim chamado ‘desenvolvimento’ atingir essas áreas.

Se assim permitirmos, vamos ter mais impermeabilização do solo, mais enchentes, mais gente chegando sem condição de recebê-los, vamos ter o trânsito ainda mais caótico …

Não sou um daqueles que acha que Vinhedo tem que crescer indefinidamente. Acho que há um limite no crescimento e que tem que ser calculado. Que tipo de empresa, por exemplo, temos que trazer para o distrito. Tem que ser uma empresa que gera 400, 500 empregos a R$700,00 para depois essas pessoas não terem condições de pagar aluguel e irem morar em submoradias? Acho que esse não é o caminho.

Temos que pensar. Pela lógica de nossa cidade, temos que trazer empresas mais tecnológicas e investir na qualificação profissional e ter centros de qualificação na cidade para atender a essa demanda. Tais empresas não vêm porque não temos profissionais capazes de atender a essa demanda.

Equacionar o desenvolvimento com a preservação ambiental e com o planejamento urbano tem que ter em consideração o que a cidade deseja, sobre quais seriam as nossas vocações e não só investir em ter loteamentos igual acabamos deixar acontecer nos últimos anos.

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