A digressão na política vinhedense

Digressão é um conceito filosófico que, grosso modo, significa desviar no discurso o tema central para um tema secundário ou pior, falso. Na literatura pode ser um recurso do autor para criar parênteses na história ou mesmo um estilo de escrita, como fazia brilhantemente Machado de Assis.

No campo da política, esse recurso – para quem tem honestidade intelectual – pode ser utilizado para ampliar o raio de ação do discurso. Neste caso, e somente nele, não deixa de ser um estilo de linguagem.

Mas o que presenciamos frequentemente é o uso da digressão como arma de quem está na política para prejudicar outras pessoas. Como fuga para interesses escusos que não podem ser revelados. Como instrumento de chantagem e de desrespeito a quem pensa diferente. E isso acontece muito em Vinhedo.

Foi o que vimos em todo o debate a respeito da entrega dos apartamentos do projeto Minha Casa Minha Vida, denominados Portal da Esperança. Se alguém dizia que as regras foram desrespeitadas, logo vinha uma “tropa de choque” dizer “não querem que as pessoas recebam o apartamento”.

Mesmo mostrando que cerca de 100 famílias foram excluídas, com fortes indícios de injustiça, segundo o Ministério Público, regras elementares como participar do sorteio não foram cumpridas, ainda assim, a “tropa de choque” espalhava que pessoas estavam querendo prejudicar os contemplados.

Outro exemplo que podemos observar quase todos os dias acontece quando o assunto é ética na política. Esse é um tema que muitos gostam de conversar a respeito, discursar e postar na internet. No entanto, nem todos são coerentes.

Ao entrar nesta seara, muitos, convenientemente se “esquecem” da cidade. A corrupção no país ou de outras cidades vira o centro do debate. Ora, mas não é na própria cidade em que se vive que o exemplo deve ser dado, não seria aqui que temos as melhores condições de intervir para mudar?

O debate recente em torno dos shows contratados para a Festa da Uva confirma o uso do mecanismo da digressão como forma de desvio do foco. Se um indivíduo escreve que os show são muito caros e isso será pago pelo contribuinte e no preço dos produtos da festa, logo é acusado de querer tirar os shows do povo.

Em alguns casos é inútil insistir no debate com clareza e racionalidade. Mesmo mostrando que é possível negociar os preços dos shows, valorizar mais os artistas locais/regionais, prestigiar a agricultura e o artesanato e apostar no potencial de nossa cultura, a digressão é usada para justificar as ações do governo municipal.

É preciso identificar quem faz isso por inocência ou falta de informação. Por uma questão de justiça, é fundamental que se diferencie daqueles que fazem isso de forma maldosa e desqualificada, com o objetivo de desmerecer outras opiniões e manter os privilégios e interesses que se escondem por trás de tudo isso.

Anúncios

  1 comment for “A digressão na política vinhedense

  1. 1 de fevereiro de 2013 às 10:25

    comum desde a Idade Média…. o pseudo uso da palavra, ou a cativante RETÓRICA em discursos político.

    Curtir

Muito obrigado por sua contribuição.

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s