Big Brother Vinhedo – parte II

Na primeira parte deste artigo fiz alguns comentários a respeito de como a diferença de idéias em nossa cidade muitas vezes é tratada com desprezo e hostilidade.

Usei o exemplo do livro “1984” de George Orwell para retratar o perigo de uma sociedade totalitária, onde adversários políticos são perseguidos, a liberdade crítica e criativa é restringida e cidadãos são vigiados.

O livro retrata também a forma como o pensamento único não admite o surgimento de outras lideranças. Mostra como a propaganda política e de estado está intimamente ligada ao Grande Irmão (Big Brother).

Em Vinhedo, ao circular pelas ruas da cidade e pelas repartições públicas, somos o tempo todo obrigados a olhar para a propaganda “A Cidade que Queremos”. Essa frase foi a mesma utilizada na campanha eleitoral do atual Prefeito.

Ela tem a intenção de criar uma idéia fixa, a partir de um visual sistemático, combinado com a imagem do Prefeito que é veiculada em jornais, panfletos, na internet e em outros espaços. A mensagem é de que, ele próprio, é expressão da cidade.

Essa estratégia é combinada com uma ofensiva contra aqueles que fazem crítica ao seu líder maior. Portanto, atacá-lo significa, para este raciocínio, atacar Vinhedo.

Toda vez que olho para essas placas publicitárias me lembro do livro de Orwell, em especial da frase que era repetida: “O Grande Irmão (Big Brother) zela por ti”.

Neste momento estamos vivendo na cidade mais uma demonstração de que não é fácil “respirar” democracia. O Projeto de Iniciativa Popular, Ficha Limpa Municipal, está quase alcançando as 2.600 assinaturas necessárias para tramitar na Câmara.

Os recados para a Coordenação do Movimento Ficha Limpa Vinhedo já começaram a chegar. Estão dizendo que vão arrumar algum empecilho técnico-burocrático para barrar o Projeto.

Apesar de 6 Estados terem aprovado e de mais de uma centena de municípios seguirem o mesmo caminho, sempre a partir da iniciativa do Legislativo ou da Iniciativa Popular, começaram a dizer que neste caso a “competência é exclusiva do Executivo”.

Em nossa cidade a “competência exclusiva” do Chefe do Executivo serve para justificar inúmeras atitudes que presenciamos nos últimos anos.

Como pode em todo o Brasil ter sido diferente? Em nome de uma diferença política vão barrar um Projeto que fez toda a cidade debater ética na política?

Esperamos que nem todos que vão apreciar o Projeto compartilhem dessa manobra que começa a ser anunciada. Mais que legitimidade para ser votado, o Projeto de Lei tem apoio de 36 entidades e tem sido amplamente debatido na cidade.

Aqueles e aquelas que quiserem dar “competência exclusiva” ao chefe do Executivo para ele fazer o que bem entender têm a opção de votar contrariamente.

Recorrer a um subterfúgio jurídico para abafar a mobilização popular vai ser ainda mais vergonhoso.

Artigo publicado nos Jornais Tribuna de Vinhedo e Folha Notícias, nos dias 02 e 03 de setembro, respectivamente.

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