A agricultura familiar como aliada do crescimento

No último artigo escrevi, em linhas gerais, sobre a necessidade de termos uma preocupação maior com o planejamento de nossa cidade. Destaquei ainda que o Governo Municipal precisa estar em sintonia com a vocação de Vinhedo.

É absolutamente possível conciliar um nível acelerado de desenvolvimento com planejamento urbano e preservação ambiental. Em outros artigos, vou trabalhar com mais detalhes sobre o que pode ser feito – enquanto é possível fazer.

Ao se falar sobre cuidados com o crescimento acelerado, sempre existe o risco de ser acusado de ser contra o desenvolvimento. É muito comum ser chamado de retrógrado ao defender uma ação planejada de governo.

Esse discurso fácil esconde interesses de quem não tem preocupação com o futuro. Investir seriamente na agricultura familiar, por exemplo, pode ser uma forma inteligente de gerar emprego e renda e preservar áreas, sem que elas fiquem ociosas.

Em se tratando de uma cidade de pequenas dimensões como é Vinhedo, os riscos são maiores. É preciso reservar uma parte do território para atividades sustentáveis. Técnicas modernas permitem que pequenas faixas de terra tenham alta produtividade e dinamizem a economia local. Basta vontade política.

Ter uma atividade econômica que seja sustentável e que ainda contribua com a manutenção das tradições é uma tarefa que o governo municipal poderia assumir como um de seus desafios.

O Estatuto da Cidade é uma legislação que trata do papel social do território. É ele que orienta nosso Plano Diretor que, a propósito, não tem sido cumprido naquilo que tem de mais avançado.

É sintomático o fato de não termos uma Secretaria de Agricultura que coordene um projeto com o propósito que proponho. Temos somente um departamento com poucas pessoas trabalhando. Além disso, contam com pouquíssimos recursos.

Os agricultores que resistem bravamente na cidade, o fazem por conta própria. Eles necessitam de um apoio que contribua efetivamente com a ampliação e com a qualidade da produção agrícola.

É evidente que, entre ter uma terra parada ou produzindo pouco, é muito mais lucrativo fazer dela um loteamento. Apoiar mais a produção da uva e do vinho deve estar neste horizonte. Sem isso, em poucos anos vai ser uma fraude fazer uma Festa da Uva na cidade.

Já está chegando ao limite. Produzimos muito pouco para continuar ostentando artificialmente um título. Perdendo a aura de uma cidade que oferece qualidade de vida, corremos o risco de nem mesmo aproveitar seu imenso potencial econômico.

Se a cidade se convencer de que, junto com uma economia vigorosa é preciso crescer mantendo nascentes e áreas verdes, todos sairão ganhando. A construção civil e o setor imobiliário terão um forte aliado: a garantia que vendemos um “produto” de alta qualidade. O lote, a casa ou o apartamento trarão a garantia de que haverá água e ar puro para quem decidir viver por aqui.

Artigo publicado nos Jornais Tribuna de Vinhedo e Folha Notícias, nos dias 10 e 11 de junho, respectivamente

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  1 comment for “A agricultura familiar como aliada do crescimento

  1. 1 de junho de 2012 às 12:15

    Super interessante, acredito que os agrícolas precisem de um apoio na produção agrícola!

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