A corrida começou

As lideranças que pensam a política de forma estratégica não costumam se orientar unicamente pelo calendário oficial das eleições.

O esforço de organizar o grupo político e ampliar a base de apoio é uma tarefa permanente que, via de regra, inicia-se no dia seguinte de uma eleição.

No entanto, existem períodos marcados por um esforço concentrado. Mesmo não havendo precisão matemática, é possível afirmar que acabamos de entrar em um deles.

Passado o carnaval, as forças políticas passaram a ter aproximadamente sete meses para filiar as pessoas que, potencialmente, podem ser candidatos nas eleições de 2012.

A legislação eleitoral determina que o candidato necessita estar filiado em um partido político há no mínimo um ano da data que antecede as eleições.

Essa fração de tempo é o que, ao menos em parte, justifica as movimentações que começamos a acompanhar na imprensa.

Novas lideranças começaram a escolher seus partidos. Quem já está filiado vai precisar definir onde vai ficar e principalmente se vai ser situação ou oposição ao atual governo.

No tabuleiro do xadrez político da cidade estão quase 30 partidos, quase todos que existem no Brasil. Mais de 5.000 vinhedenses são filiados em algum deles, o que é algo impressionante pra uma cidade de aproximadamente 40.000 eleitores.

É preciso saber, entretanto, que a maioria desses partidos servirá a interesses de partidos maiores. Meia dúzia de partidos possuirá capacidade real de direção e aglutinação, o restante funcionará como uma espécie de “satélite”.

Foi exatamente isso que aconteceu na cidade ao menos nas últimas cinco eleições e nada indica que haverá mudança significativa nessa lógica.

Para os que vão escolher nos próximos meses a legenda aonde vão se filiar é preciso ter essa noção, para não servir de simples massa de manobra de interesses maiores.

Nesse jogo – não tenhamos dúvidas – quem tem a maior possibilidade de atrair e filiar futuros candidatos são as forças que estão em torno de Milton Serafim.

Apesar do desgaste moral e político que o Prefeito sofreu nos últimos anos, não se pode, de forma alguma, subestimar seu grupo político. Centenas de cargos de confiança no governo (e em empresas) são oferecidos como parte desse operativo.

Como agravante, a maioria das legendas estão sob seu controle e algumas que não estão ainda vão sofrer ofensivas para que estejam no futuro. Ou por força de intervenção, ou por cooptação.

Nos próximos artigos tratarei mais detalhadamente este tema que deve ser pauta nos espaços políticos de Vinhedo daqui até o início de outubro.

Esta semana retomo a regularidade na criação de artigos que analisam a conjuntura política e mesmo temas que são de âmbito geral, mas que interferem, direta ou indiretamente em Vinhedo.

Sem a pretensão de ser um analista neutro já que também sou um agente político nessa disputa, espero contribuir com a reflexão sobre o futuro de nossa cidade.

Rodrigo Paixão

Artigo Publicado nos Jornais Tribuna de Vinhedo e Folha Notícias em 18 e 19 de março, respectivamente.

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