O Direito à Cidade e as Eleições 2010

Artigo publicado na Revista Toda Mulher – Edição de Setembro

As eleições desse ano acontecem em um contexto onde muito pouco é falado sobre os reais problemas do país. Como os projetos de um modo geral são muito parecidos, o debate tem se restringido meramente a números. Também temos o agravante de que os sucessivos escândalos de corrupção geraram um ambiente de desconfiança na população.

Este cenário pode levar – caso não haja envolvimento dos setores conscientes – a termos um efeito colateral que beneficiará justamente aqueles que não querem mudanças. No centro do debate é fundamental que esteja pautado o futuro de nossas cidades. Com uma forte taxa de urbanização, a região de Campinas é exemplo de que são nas cidades onde se concentram a maior parte dos problemas.

Cuidar melhor das cidades e planejar o desenvolvimento

O crescimento desordenado dos municípios, somado à lógica de um modelo econômico gerador de desigualdades tem sido, no último período, elemento de grande preocupação.

A Carta Mundial do Direito à Cidade aprovada em Barcelona em outubro de 2004 e o Estatuto da Cidade – aprovado no Brasil em julho de 2001 – são expressões disso.

Com este olhar, devemos debater na Região Metropolitana de Campinas soluções construídas a partir de um debate em toda a região e que atendam aos interesses do conjunto das cidades de forma articulada. É dessa forma que devemos enfrentar problemas como segurança, infra-estrutura, a água, o saneamento básico e a mobilidade urbana. Para solucionar, por exemplo, o problema do trânsito, não adianta ilhar mais ainda as cidades com pedágios caríssimos que aumentam o custo de vida, se continuarmos privilegiando o transporte particular.

Combater a segregação sócio-espacial

O crescimento desordenado e a concentração de poder contribuem para práticas de ataques ao meio ambiente e de privatização dos espaços públicos. Muitos não têm acesso aos serviços públicos, à cultura, à moradia, à educação, à saúde, ao transporte e ao lazer. Essa violência do Estado contra as pessoas só gera mais violência.

Em nosso horizonte deve estar claro que a função social da cidade é o elemento que pode garantir condições mais dignas de convivência. Para fazer sentido, as cidades necessitam de um modelo de gestão mais democrático e includente e a atuação política deve estar a serviço dos projetos coletivos e não em benefício de determinado candidato ou do poder econômico.

Rodrigo Paixão é Cientista Político, Técnico em Contabilidade e graduando em Gestão Pública. Nascido em São Bernardo do Campo, vive há 14 anos em Vinhedo. Trabalha com consultoria para organizações não governamentais e movimentos sociais no estado de São Paulo. Contato: rodrigopaixao@uol.com.br

Anúncios

Muito obrigado por sua contribuição.

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s