Valorizar os Servidores é valorizar a cidade

 Sempre que possível gosto de acompanhar de perto os eventos políticos, sociais e culturais da nossa cidade. Anualmente costumo participar das assembleias dos Servidores Públicos para avaliar para onde caminha Vinhedo, neste quesito.

  Na assembleia realizada nesta última quarta-feira, dia 05, várias coisas me chamaram a atenção. Achei que seria importante colocar publicamente o que penso. Pela primeira vez, em nove anos e cinco meses de mandato, Milton Serafim teve sua proposta derrotada pelos funcionários públicos.

  Aproximadamente 100 servidores, representando as mais diversas áreas de governo, compareceram para dar um sonoro NÃO a uma proposta apresentada somente nos últimos dias que antecedem o fim da campanha salarial. Ainda que consideremos que há em Vinhedo aproximadamente 2.000 servidores públicos, os que estiveram presentes são razoavelmente representativos do que é o sentimento coletivo.

  Mesmo sabendo da possibilidade da existência de “olheiros” do governo e com uma posição recuada do Sindicato, muitas das falas ditas no dia 05 no Centro de Convivência, demonstram claramente que nem todos ficam calados diante de arbitrariedades.

  Um Servidor lembrou aos presentes que, enquanto um aumento decente é negado, carros são alugados com valor altíssimo. Na mesma linha de raciocínio, uma Servidora afirmou que se nega benefícios àqueles e àquelas que trabalham para aplicar as políticas públicas, enquanto se desperdiça o dinheiro público.

  Vários colocaram o fato de Vinhedo ter um dos maiores orçamentos do país, enquanto os servidores não tem sequer salários e direitos equiparados com cidades da região metropolitana de Campinas. Uma seqüência de falas também resgatou que foi o atual prefeito o responsável pela maioria das perdas salariais.

Uma professora de forma brilhante e didática registrou publicamente inúmeros problemas nas condições de trabalho dos profissionais de educação, como o fato de Vinhedo ter crianças demais para poucas monitoras nas creches. Com fortes aplausos do plenário, finalizou dizendo que não vê nenhum problema em haver negociação, mas o que está acontecendo está mais para enrolação.

  O mais interessante foi que, além de contestar o conteúdo da proposta, uma série de críticas dos presentes foram direcionadas à forma como se deu a negociação, que além de ser feita de última hora, não contemplou a maioria dos pontos colocados na pauta e tampouco foi dada resposta do porque de não negociar.

  Acrescento a esta memória histórica o fato de, apesar de ter a possibilidade de fazer, Milton Serafim deixou nos 8 anos do seu governo anterior (1996-2004) os Servidores Públicos sem uma Convenção Coletiva de Trabalho. Este instrumento adotado pelos municípios brasileiros nos anos 90 foi adotado em Vinhedo, vergonhosamente, só no ano de 2006.

  Durante esses 8 anos – também é prudente não esquecer – o atual Prefeito deu aumento 0 (zero!) em cinco anos e em três apresentou números irrisórios. Isso na verdade corroeu os salários, já que teve momentos onde a inflação girou em torno de 8%. “Espertamente”, deixou para seu sucessor uma bomba-relógio de quase 40% de perdas salariais.

  Outro elemento é fundamental para entendermos a razão da derrota da proposta do governo: o autoritarismo. A centralização de poder continua, na Secretaria de Educação, por exemplo, impondo às escolas do município coordenações e direções através de critérios políticos e, na maioria das vezes, a comunidade escolar não é nem consultada.

  Apesar da promessa de muitos anos de criação de um Plano de Cargos, Carreira e Salários, este tema é sistematicamente “empurrado com a barriga”. O que deveria ser central para um administrador sério, em Vinhedo é tratado com desprezo.

  A cidade não pode olhar para a forma como os Servidores são tratados como se fosse uma coisa coorporativa, que só interessa a eles mesmos. Afinal, quem cuida de nossas crianças? Quem faz a manutenção da cidade? Quem vigia as ruas? Quem educa nossos filhos? Quem orienta nossos atletas? Quem auxilia os idosos?

  Uma cidade que pretende ter uma gestão democrática e eficiente não pode continuar tratando assim os 2000 homens e mulheres que estão a frente dessas e de outras tarefas. Valorizar e respeitar o Servidor Público tem relação direta com o presente e com o futuro de nosso município.

 Rodrigo Paixão, 06 de maio de 2010

Anúncios

Muito obrigado por sua contribuição.

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s