Com quem está a “Força do Povo”?

Essa semana um fato, que a princípio pode parecer corriqueiro e sem muita importância, me chamou a atenção. No último dia 04, durante cerca de 10 horas consecutivas, o Bairro da Capela ficou sem energia elétrica.

Não é a primeira vez que a maior e mais populosa região da cidade tem restrição, com duração prolongada, de algum serviço, ainda que houvesse uma explicação técnica. É bom lembrar que, no início deste mandato, a Capela ficou sem receber água durante 25 horas.

Sempre é dada alguma explicação. “A falta d’água foi por conta da bomba que quebrou”. “Faltou luz por conta da tempestade”. Esses argumentos, no entanto, não anulam o fato de que há uma demora absurda do governo para resolver assuntos relacionados ao bairro que ironicamente, segundo indicam os números, é a principal base eleitoral do atual Prefeito.

Existe, na minha opinião, um mito de que muito se faz pela Capela em detrimento do restante da cidade. A Capela, onde vivem aproximadamente 30% das famílias vinhedenses, é também uma das regiões com maior carência de presença do governo municipal. Este bairro, muitas vezes, sofre uma exclusão sócio-espacial que deveria ser inadmissível em uma cidade como a nossa. O pontilhão da Anhanguera, simbólica e arquitetonicamente divide esta parte da cidade.

Vejamos alguns fatos. Como funciona o serviço de transporte público para um trabalhador que mora na Capela e trabalha no Santa Fé? Ele tem que pagar duas passagens de ônibus, porque a ineficiência dos últimos governantes não conseguiu negociar com a empresa concessionária o bilhete único.

Ao final de 2004, existia um déficit grande de vagas nas creches que até hoje não foi equacionado. Mais do que isso, a educação infantil está com sérios problemas em relação ao número de crianças que ficam sob cuidado das monitoras, que é muito elevado.

Como pode 1/3 dos moradores – considerando acesso só do bairro – ficar sem a internet banda larga? Nem Milton, nem Kalu resolveram este problema, o que é vexatório para história de ambos. Só agora, com muita pressão popular e com a organização de pessoas preocupadas com a inclusão digital que este serviço chegará.

Praticamente inexiste uma política pública voltada para a juventude e os espaços de cultura, esporte e lazer são muito reduzidos. A propósito, democratização da cultura e amplo acesso aos bens artísticos e culturais são pautas que estão organizando setores importantes da cidade.

O Conselho Tutelar registra neste bairro a maior parte de casos relacionados à infância e à adolescência. Muitos fingem não saber que nas madrugadas das ruas do Principado é possível encontrar meninas vendendo o corpo por R$ 10,00 para comprar pedras de crack.

Apesar dos números pujantes da riqueza de Vinhedo, nem sempre isso é revertido em benefício da maioria da população, e a Capela é um exemplo claro disso. Com um dos maiores orçamentos do país, é possível ter programas sociais que resolvam muitos dos problemas presentes naquele bairro, mas o que vemos é muita propaganda e pouca ação.

Se analisarmos fria e honestamente os oito anos do governo Milton Serafim (1997-2004) e compararmos, com os dois governos Jonas Ferragut, os dois governos Zé Gasparini e o último governo Kalu, verificaremos que é errada a idéia que Milton se destacou. Se os oito anos de governo Milton tivessem sido tão significativos, ele teria feito seu sucessor em 2004.

Mas, então, de onde vem aquilo que seus aliados chamam de “força do povo”?

O Governo Milton produziu um marketing habilidoso que convenceu as pessoas que grandes obras como a duplicação da Estrada da Capela (feita pelo governo do Estado), a Praça Central do Bairro (feita pelo Hopi Hari) e os loteamentos Vida Nova I e II (vendidos e caros) se convertessem em grandes obras de sua autoria.

É inegável também que Milton é um líder carismático e um grande comandante na política. Numa sociedade cada vez mais individualizada, as pessoas também estão cada vez mais carentes, e um líder que consegue dar “tapinha nas costas” o tempo todo, costuma fazer diferença.

O que Milton não tem é a inserção social organizada que o PT lhe ofertou em 1996. Tampouco tem a mesma credibilidade, pois está sob suspeição e com processos na justiça. Aliado ao fato que foi eleito com os votos de menos da metade da população, a “força do povo” está muito mais presente entre aqueles que são agentes transformadores dessa realidade em nossa cidade e não com o Prefeito.

Vinhedo, 06 de maio de 2009.

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  1 comment for “Com quem está a “Força do Povo”?

  1. antonio clemente delaqua
    3 de abril de 2012 às 16:06

    nao vejo a pessoa do prefeito desta forma e sim como um lidre politico de obras e bem feitoria para o municipio, voto nele quantas vezes for candidato

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