A crise econômica e o discurso do caos

A crise econômica mundial tem pautado constantemente os principais veículos de comunicação do país. Entre os analistas, existem diferenças nas análises sobre quais seriam suas origens, impactos e duração. No entanto, há quase um consenso de que ela trará conseqüências bastante negativas.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT) a estimativa é que a crise gere, no mundo, 20 milhões de demissões, ainda este ano. No Brasil já ultrapassamos a marca de 1 milhão de demitidos. Somado a isso, o fechamento de empresas, a queda nas exportações e a restrição do crédito levarão a queda de arrecadação nos municípios e também no nível de renda da população.

Qual o impacto disso tudo em Vinhedo?

Vinhedo é uma cidade que tem características especiais e, neste sentido, não pode ser comparada de forma mecânica com outros municípios brasileiros. A maioria das cidades do nordeste, por exemplo, dependem do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e a queda desta receita será muito prejudicial.

Este não é o caso de Vinhedo. Nossa cidade tem uma arrecadação elevada de IPVA, IPTU e de ICMS e a influência do FPM no orçamento é pequena. Além de não ter dívidas, Vinhedo teve um crescimento de arrecadação bem acima da média da Região Metropolitana de Campinas. Por ser uma cidade com número reduzido de habitantes, mas com produção de bens e serviços, proporcionalmente, elevados, a queda no FPM teve, até agora, um impacto diminuto.

Em 2007, esses repasses foram de R$ 10.634.260,78, para um Orçamento de R$ 153.870.500,00, ou seja, aproximadamente 7%. No ano passado, os repasses do FPM foram de R$ 13.475.490,21, quando o orçamento atingiu R$ 177.192.480,91, o que equivalia, a aproximadamente 7,6%.

Segundo a Secretaria do Tesouro Nacional, no primeiro trimestre de 2009 os repasses do FPM para Vinhedo foram de R$ 3.222.616,80. Ora, se compararmos com 1/4 do Orçamento (R$ 48.219.687,05), podemos dizer que o repasse do FPM significou, nos primeiros 3 meses de 2009, aproximadamente 6,7%.

Se compararmos com as cidades vizinhas, em 2008 o repasse do FPM para Valinhos foi de 18.375.668,35, pra um orçamento de 197.680.000,00, ou seja, 9,3%. Já em 2009 o impacto do FPM no primeiro trimestre de orçamento foi de 7,9%, contra a média deles de 9%. Vejamos: Valinhos caiu de 9,3% pra 7,9%; nós caímos de 7,3% (média) pra 6,7%!

Mais baixo que nos últimos anos, mas muito próximo da média histórica e pouco significativo em relação ao total da arrecadação. Convém destacar que os últimos cálculos são aproximados, por não termos, em Vinhedo, transparência na divulgação da execução orçamentária em tempo real, pela internet.

Esta pequena queda deve ser relativizada, ainda, pelo fato de que a tendência é que a cidade amplie ainda mais a arrecadação do IPTU por conta do novo sistema de mapeamento digital. As taxas, como a da água, também tiveram aumentos significativos já no início do governo. Se medidas preventivas forem tomadas, Vinhedo tem condições muito melhores do que a maioria dos municípios de minimizar os impactos que a crise ainda trará.

Mais do que isso, municípios que, por terem as finanças saneadas, podem captar receitas, serão fortalecidos em breve, já que o Governo Federal anunciou que vai aumentar os repasses em razão de uma política de compensação da queda de arrecadação. Como se vê, o discurso do pânico não resiste à análise dos números reais. Nosso município não estará inerte ao que ainda ocorrerá na economia mundial, mas com toda certeza, se houver vontade política, podemos atravessar a crise de maneira privilegiada.

Por trás do discurso que tenta criar um clima de que a cidade foi assumida pelo atual Prefeito em situação de caos está, na verdade, outros interesses. Primeiro a dificuldade de enfrentar estrategicamente as dificuldades da cidade, inclusive os efeitos da crise. Segundo, o Prefeito tem que anunciar nas próximas semanas qual será o aumento dado aos servidores. Já comentei, em artigo anterior, que durante os oito anos de sua administração, em cinco deles, o aumento salarial foi 0% (zero por cento).

O executivo tem que adotar medidas concretas que se antecipem a queda no nível de renda da população vinhedense. Temos condições de criar políticas públicas de geração de emprego e renda e de interferir de forma mais decisiva nas políticas do Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Campinas.

Para aqueles que já perderam o emprego, o município pode adotar uma política especial de isenção de impostos e de subsidio no transporte público às famílias que se encontram em maior dificuldade. Até agora o governo municipal pouco fez, além de reclamar. É hora de menos discurso e mais ação.

Vinhedo, 17 de abril de 2009.

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  2 comments for “A crise econômica e o discurso do caos

  1. Lors
    17 de abril de 2009 às 14:56

    Gostei.

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  2. 13 de dezembro de 2009 às 11:12

    Sry for being OT … which WP template do you use? Looks cool.

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