Os Primeiros 100 dias da “Cidade que Queremos” – Parte 2

Nesta Sexta-feira, completamos exatos 100 dias de governo. No artigo anterior, iniciei uma análise do que teriam sido esses primeiros dias da nova administração. Dizia que um olhar atento sobre as primeiras ações e medidas anunciadas poderiam indicar, entre outras coisas, as tendências do que pode ser e como se comportará este mandato.

A insistência na tática de mostrar para a cidade um político “super-herói”, que anda no meio do mato e pula muros, demonstra, na realidade, a fragilidade que tem o governo em apresentar medidas concretas e que tenham um horizonte estratégico.

Soaria melhor adotar o bilhete único e ampliar o alcance do transporte público, como uma das medidas para controlar o trânsito, que é insuportável em horários de pico. Ao contrário, o que presenciamos foi um aumento, acima da inflação do preço das passagens.

Ao invés de dizer generalidades na Reunião do Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Campinas, o Prefeito teria condições de adotar medidas contras os efeitos negativos da crise econômica. Perdemos nesses dias duas grandes empresas, e muitas demissões foram realizadas, enquanto o governo investia na reforma da “Praça do Pirulito”.

Entidades da cidade e vereadores, preocupados com os efeitos que a crise poderia causar, solicitaram um posicionamento do chefe do executivo. Investimentos públicos para dinamizar a economia local e a criação de políticas especiais para os demitidos são algumas das medidas esperadas.

Sabemos também, que o abastecimento de água é um dos principais problemas do município. Portanto, as medidas a serem anunciadas nesses 100 primeiros dias não deveriam ser mais cargos comissionados na SANEBAVI e aumento da tarifa de água, acima da inflação. O estratégico para a cidade seria um plano de redução do desperdício de 45% para algo em torno de 15%.

Mais que prometer casas e dizer que deu outras centenas, é preciso corrigir as distorções que existem. Muitas habitações necessitam de um trabalho coordenado da Secretaria de Habitação e de Promoção Social, pois possuem condições precárias. Também é preciso trabalhar com a verdade e dizer que os lotes foram vendidos, muitas vezes com preço de condomínio, e não doados.

A Santa Casa, cuja dívida ultrapassa R$ 50.000.000 (cinqüenta milhões de reais) é um assunto que o Prefeito já afirmou que não é de sua responsabilidade. Além desse passivo impagável, que seria suficiente para construir dois modernos hospitais, ainda existe uma dívida moral com a cidade. Um hospital público continua sendo um projeto que pode contribuir significativamente com a melhoria da saúde da nossa população.

Nossa cidade, que há anos tem aparecido na imprensa regional e nacional em escândalos de corrupção, deveria, também nos 100 primeiros dias, ter passado por uma auditoria pública das finanças para demonstrar a real situação da cidade e colaborar com os inúmeros processos que tramitam no Ministério Publico e na Justiça.

A transparência nas ações de governo pode ser ampliada com a criação de um Diário Oficial do Município. Fazer reuniões com populares não significa, necessariamente, transparência. É necessário democratizar o poder e criar mecanismos democráticos de participação efetiva da população sobre os rumos do município.

A forma autoritária e populista de governar também foi demonstrada inúmeras vezes nessa primeira fase de governo. Coordenadores e diretores de escola foram escolhidos pelo Prefeito e não pela comunidade escolar. A proposta de construção de um Paço Municipal que concentre também a Câmara e o Fórum não é nada além de um desejo imperial de controlar o Judiciário e o Legislativo.

Políticas Especiais para a Juventude, setor social que, notadamente, está mais vulnerável, também foi uma expressão que não se ouviu nestes dias. O Conselho Municipal Anti-Drogas continua aguardando a promulgação de um ato efetivo do governo.

A bela e agradável Vinhedo, que teve, em relação ao que representa, uma comemoração medíocre de seus 60 anos, está assustada com o aumento dos índices de criminalidade e violência. Juntamente com o CONSEG é necessário um esforço que, além de medidas repressivas, integrem políticas sociais.

Para isso, o fabuloso orçamento de mais de R$ 190.000.000 (cento e noventa milhões de reais) – em uma cidade que não possui dívidas – seria mais que suficiente e poderia, se houvesse vontade política, ser utilizado para transformar Vinhedo em uma referência nacional em índices sociais.

Vinhedo, 10 de abril de 2009.

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  1 comment for “Os Primeiros 100 dias da “Cidade que Queremos” – Parte 2

  1. Silvia Helena Ramos
    5 de agosto de 2010 às 14:16

    Concordo em genero e grau com o Rodrigo
    Vinhedo virou palco de escândalos há muito tempo e é uma sangria que não estanca nunca
    A Santa Casa da Cidade fou usada por uma máfia de médicos que estão ricos mas a Santa Casa está falida
    Nunca ninguém quiz dar nome aos bois porque são covardes!
    Agora o Plano de Saúde foi extinto, antes foi vendido, depois o que será?
    Os médicos da máfia de branco estão livres enquanto a população está presa a um sistema de saúde municipal cujo principal Hospital está refém e blindado por pessoas de má fé pois não fosse isso muita gente deveria estar na cadeia por destruir o único Hospital da Cidade
    Mas o que fazer se as classes dominantes não se importam com essa destruição? Eles tem seus interesses e lucros e o povo não tem nada!
    Povo de Vinhedo abra os olhos!

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