Os Primeiros 100 dias da “Cidade que Queremos”

A análise da atuação dos 100 primeiros dias de um governo, tem se revelado um parâmetro importante para saber quais serão suas tendências. Geralmente, os interesses que norteiam as ações e projetos começam a ser revelados. A correlação de forças, ou seja, o potencial que tem o governo para realizar medidas com apoio efetivo da sociedade é outra variável que merece atenção.

A marca que a coalização liderada por Milton Serafim tentou passar nesses quase 100 dias para a cidade obedece a seguinte estratégia: 1 – provar que ele teria sido perseguido; 2 – mostrar que assumiu uma cidade em situação caótica; 3 – que este é o melhor governante que a cidade poderia ter.

Para cumprir essa tarefa, o governo utiliza-se de vários instrumentos de persuasão da opinião pública: jornalistas e lideranças que ajudam a propagar esta versão, o controle da Rádio da Capela e a criação de factóides políticos.

Escrevi no início do ano que existiria um Secretariado formal e um Secretariado que exerceria o comando político real. Pois bem, não é mais novidade que Alexandre Tasca assume, com cada vez mais intensidade a coordenação política do governo.

Somado a isto, o Secretariado formal não ofusca a imagem de “herói” do Prefeito. Quase todas as medidas são anunciadas pelo Prefeito e não pelo Secretariado. Isto, mais cedo ou mais tarde trará uma tensão interna, já que na política, as lideranças costumam ter ambições.

O problema é que o Prefeito é refém disso. Por ter sido eleito com menos da metade dos votos da população e sob forte suspeição de uma parcela significativa da cidade, ele precisa se alimentar o tempo todo com medidas que causem impacto midiático.

Medidas estas que muitas das vezes são infladas e superdimensionadas. No início do ano, por exemplo, a assessoria de imprensa do governo soltou uma nota dizendo que o Prefeito foi “eleito presidente do Circuito das Frutas”. Uma análise atenta dos fatos demonstrará que isso não é verdade. Milton foi indicado para presidência de um consórcio, ligado ao Circuito das Frutas, de quatro municípios, que gerencia a manutenção de estradas rurais.

O fato desse governo, em vários sentidos, ser mais fraco que o anterior, poderá levá-lo a tomar decisões de desespero, que podem comprometer ainda mais o futuro da cidade. Exemplo claro disso é a insistência na proposta irresponsável de poços artesianos para resolver o problema imediato. Ao invés disso, deveria buscar medidas sustentáveis para resolver a questão.

A suspensão temporária de autorização para novos loteamentos é uma medida positiva. Ela foi pauta durante o processo eleitoral e apresentada pela Frente que eu liderava como candidato a Prefeito. No entanto, aparenta ser muito mais a tentativa de resposta à marca negativa deixada pelo motivo que levou o Prefeito a prisão.

Digo isso porque o projeto prevê várias flexibilidades e não foi acompanhado de nenhuma proposta concreta que propusesse um controle efetivo do planejamento urbano do município. Também não foi acompanhado de uma auditoria que demonstrasse o que de fato ocorreu entre os anos de 1997-2004.

Muitos temas que requerem ações enérgicas não receberam a devida atenção. A Santa Casa, que é uma bomba relógio. O trânsito que é cada vez mais caótico. Nenhuma medida efetiva de combate aos efeitos da crise econômica. A escalada da violência só tem como resposta mais policiais e carros nas ruas, como se apenas isso resolvesse o problema.

O que a antiga oposição na Câmara (atual situação) criticava, está sendo repetido. A manutenção do contrato da merenda escolar que era considerada “horrível” e a nomeação sistemática de parentes (nepotismo) são dois exemplos que representam bem essa contradição. Paradoxalmente, a atual oposição parece ainda não ter se encontrado.

A terceirização da Festa da Uva, a contratação, sem licitação, de advogados de campanha para trabalhar no governo, o anúncio de mais cargos na SANEBAVI são medidas que também merecem um olhar. Isto está a serviço do que?

O populismo tem um limite. Como disse certa vez Abraham Lincoln “Você pode enganar um indivíduo a vida inteira; pode enganar todos uma vez; mas não pode enganar todos a vida inteira”

Vinhedo, 02 de abril de 2009.

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  1 comment for “Os Primeiros 100 dias da “Cidade que Queremos”

  1. regis
    9 de abril de 2009 às 10:46

    Nenhum comentário? Por que será?

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