Michael Moore denuncia sistema médico americano em ‘SOS saúde’

Jamari França – O Globo Online 

RIO – O provocador Michael Moore acerta mais uma vez em nova investida contra as mazelas da América, desta vez em “SOS saúde” (”Sicko”) , uma crítica devastadora ao sistema de saúde americano. Ele denuncia que o lucro fala mais alto entre as seguradoras com depoimentos incontestáveis de pessoas que perderam parentes devido à falta de autorização de tratamentos. Uma médica confessa, numa audiência no Congresso, que foi promovida ao vetar um procedimento médico no valor de 500 mil dólares ao custo da vida do segurado. Um médico de empresa de saúde diz que ganhava bônus quem economizasse mais para a seguradora.

Vários pacientes dizem que foram obrigados a pagar por procedimentos que não estavam cobertos pelo seguro e eles de nada sabiam. Uma mulher atropelada teve que pagar pela ambulância que a levou ao hospital sob a alegação que não pedira autorização prévia para usar o serviço. Um casal perdeu a casa devido a sérios problemas de saúde dos dois com alta incidência de despesas extras.

Casal num hospital inglês ri quando Moore pergunta quanto custou o bebê/Divulgação Um marceneiro não coberto pelo seguro perdeu dois dedos numa serra, foi para o hospital e lhe disseram que o reimplante do dedo médio custava US$ 60 mil e do dedo anular US$ 12 mil. Ele escolheu este último, que estava ao alcance do seu bolso. E ainda uma mãe, que perdeu a filha porque a levou para um hospital sem convênio com a seguradora, onde não foi atendida, e uma mulher que não teve autorização para tratamento de câncer, porque tinha 22 anos e disseram que era muito jovem para ter a doença. Daí ela foi se tratar no Canadá, onde existe cobertura universal. Moore mostra os sistemas de saúde do Canadá, Inglaterra e França como modelares, o que lhe valeu críticas na imprensa americana de que nestes países há filas e espera longa por cirurgias.

A crítica mais pesada foi por ele ter levado para Cuba alguns trabalhadores que estiveram em ação nas ruínas do World Trade Center e tiveram seqüelas. Na América, sofriam por falta de cobertura. Em Havana, foram atendidos de graça. A intenção provocadora dele era levá-los à base militar americana de Guantanamo, localizada em solo cubano, porque viu numa reportagem de TV que os suspeitos de terrorismo lá presos tinham uma assistência médica de primeira. Ele foi de barco até Guantanamo pedir que recebessem o mesmo tratamento que os militantes da Al Qaeda, mas não foi atendido, daí seguiu para Havana, onde uma doente se espantou com o preço de um remédio que usava, cinco centavos de dólar, contra 120 dólares na América.

Cartaz do filme 'Isto pode doer um pouco - Sicko'/Divulgação Em Londres ele foi a um hospital perguntar a todo mundo quanto pagavam pelo atendimento e só ouviu que era tudo de graça. Quando topou com um caixa, perguntou do que se tratava e lhe responderam que era para reembolsar o custo do transporte de quem ia lá se tratar. Um médico lhe disse que receberia bônus se a saúde de seus clientes melhorasse. Todos os remédios custavam 6,65 libras, não importa quais e nem a dose. Para os menores de 16 e maiores de 60 era de graça.

Em Paris, Moore ficou impressionado com um atendimento médico gratuito a domicílio e com uma faz-tudo que o governo mandava para as casas de mães com filhos de colo. Durante quatro horas, duas vezes por semana, a funcionária era babá, cozinheira, lavadeira, etc.

Moore mostra que o sistema de saúde americano foi criado nos anos 70 pelo presidente Richard Nixon e “aperfeiçoado” por seus sucessores. Ele exibe a cerimônia de assinatura de uma lei que onera a assistência médica de idosos pelo atual presidente, George W. Bush, cercado de políticos com balões que mostram quanto cada um recebeu de doação do lobby da saúde, a quantia mais alta, mais de US$ 800 mil, para Bush. E denuncia o ex-deputado Billy Tauzin, ex-presidente da comissão responsável pela fiscalização da indústria farmacêutica, que trocou o Congresso pela presidência da Pharmaceutical Research and Manufacturers of America, o lobby da indústria, com um salário de US$ 2 milhões anuais. Diante de tanta desfaçatez, Moore termina com um cesto de roupa suja a caminho da Casa Branca. Haja sabão.

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